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Como compartilhar uma base de dados sem expor dados pessoais, em 5 passos

Por que é seguro? Porque tudo é processado no seu próprio navegador: a base não sai do seu computador.

Passo 1

Fazer o inventário: identificadores diretos, indiretos e sensíveis

Anote todas as colunas e classifique-as. Os diretos identificam uma pessoa sozinhos: nome, documento, e-mail, telefone. Os indiretos só identificam combinados: data de nascimento, sexo, cidade, curso. Os sensíveis — saúde, religião, etnia, orientação sexual — causam mais dano se expostos.

Passo 2

Decidir o que fazer com cada coluna

Escolha uma saída para cada coluna. Excluir é o mais seguro: nomes, telefones e endereços. Um identificador pessoal, como o CPF, serve para acompanhar cada pessoa na análise, por exemplo ao unir dois arquivos das mesmas pessoas; substituí-lo por um código aleatório permite fazer isso sem revelar quem ela é, e é a função principal do HILO. Generalizar reduz o detalhe: a data de nascimento vira uma faixa etária. Deixar como está é para o que não identifica. Se duas colunas vão uma por pessoa, como CPF e matrícula, um código basta.

Passo 3

Revisar o texto livre

Observações e respostas abertas podem trazer justamente o que você apagou em outra coluna: um documento, um telefone, um e-mail, um nome. Procure por eles (números longos, arrobas, nomes da base) e cubra-os com uma marca como [CPF].

Passo 4

Medir o risco de reidentificação

Sem nomes, uma combinação de dados indiretos ainda pode ser única: Sweeney mostrou que código postal, sexo e data de nascimento bastam para reconhecer boa parte da população dos Estados Unidos. Conte quantas pessoas compartilham cada combinação de idade, sexo, cidade e curso (uma tabela dinâmica faz isso). Se houver combinações que identificam poucas pessoas, generalize essas colunas ou deixe-as de fora.

Passo 5

Baixar, guardar a tabela de códigos à parte e documentar

Baixe a base no mesmo formato. A tabela de equivalências (original → código) permite reidentificar alguém ou repetir os códigos na próxima rodada, e é tão sensível quanto a base: guarde-a em um lugar seguro e não a compartilhe.

Documente quais colunas foram excluídas, codificadas ou generalizadas, com que regras e que risco restou, sem nenhum dado da base: serve para um comitê de ética ou um anexo metodológico. Cada país tem a sua lei de proteção de dados e define de forma diferente o que é anonimizado: confira a sua; este guia não é assessoria jurídica.

Outras formas de fazer

Dá para fazer à mão, numa planilha (apagar colunas, substituir valores com PROCV e contar combinações com uma tabela dinâmica), ou com programas feitos para isso, como ARX ou sdcMicro.

O HILO é vantagem para fazer sem instalar nada: funciona no navegador, a base não sai do seu computador, é grátis, não pede cadastro e dá os mesmos códigos a vários arquivos. Outra ferramenta é melhor se você precisa de métodos formais de anonimização e de medição de risco, de bases muito grandes ou de um script reprodutível.

Remova os identificadores da sua própria base

Carregue um Excel ou CSV e decida coluna por coluna.

Referência

  • Sweeney, L. (2000). Simple demographics often identify people uniquely (Data Privacy Working Paper 3). Carnegie Mellon University.

Atualizada em